23 de fevereiro de 2011

Possibilidades,



Tudo que eu me recordo é que naquele instante, era outra pessoa.
Tudo que faço questão de não recordar, é que não era eu, e não seria nunca mais.
Não sentiria a firmeza da sua mão ao segurar a minha,
como se fosse impossível soltar.
Não veria mais aqueles olhos que penetravam fundo em meu olhar,
como se fosse possível desviar.
Não receberia mais aquelas carícias e mimos que você costumava fazer,
como se fosse impossível sem você.
Não sentiria, não lembraria de mais nada.
como se fosse possível esquecer...

Joice Inácio, 23 de Fevereiro de 2011.

22 de fevereiro de 2011

sorria, ironia.


Eu via um caminho quando olhava para longe,
mas não tão longe de você.
então o que via para nós dois se perdeu,
quando afastou seus olhos do meu.
Desperdicei uma quantidade infinita de lágrimas doloridas,
e sorrisos forjados, por pura ironia.
Cai na decadência de um destino que não queria ver...
mas disfarcei toda a dor e fingi me fortalecer.
fingi, porque na verdade não estava tudo bem.

Joice Inácio, 22 de Fevereiro de 2011.

20 de fevereiro de 2011

Waiting


"Sinto Muito", foi só isso que ouvi de você ,
mas aposto que não sente e não sabe o que é perder.
Perder aquela pessoa tão especial
que você jurou ser o amor mais verdadeiro e real,
e com apenas duas palavras deixou de ser encanto
para se transformar em noites solitárias lavadas em pranto.
E talvez não tenha escutado, mas meu coração estava gritando.
Não precisava de um Adeus, precisava de você!
e continuo esperando...

Joice Inácio, 20 de Fevereiro de 2011.

10 de fevereiro de 2011

Mas fui,


Feriu-me com um olhar desafiador,
deixou sobre cabeceira sua aliança e se calou.
Desceu as escadas devagar sem impedimento,
depois alargou os passos rumo ao estacionamento.

Não havia explicação, havia outra pessoa. Eu sabia.
Não fui capaz de dizer uma só palavra, apenas observei.
Verifiquei se estava completamente só, e chorei,
chorei de raiva e por continuar chorando, eu sorria.

Mais tarde me despedi do espelho que me encarava sem dó.
desci as escadas devagar contando os exatos 35 degraus só.
Entrei no primeiro ônibus sem saber para onde ele ia.
Porque afinal, para onde eu iria? Eu não sabia.

Joice Inácio, 10 de Fevereiro de 2011.

8 de fevereiro de 2011

Reticências...


Porque nem tudo precisa de um ponto final...

Joice Inácio, 8 de Fevereiro de 2011.

6 de fevereiro de 2011

Para não dizer que não falei de...


Dores, cores, flores, amores...
Falei dos sonhos, dos planos,
dos sorrisos, dos amigos, e dos sorrisos dos amigos,
Falei de um dia, uma noite, uma vida,
Falei de uma música, um verso, um livro,
Fiz, desfiz, refiz, de novo, de novo, outra vez.
Calei palavras, desafiei medos, fechei os olhos, travei os dedos.
Falei da pétala, do sangue, das asas, de partir...
Falei de morte, de sorte, de cortes.
E cortei em pedaços, papéis já rasgados agora com mais intensidade
e sem nenhuma continuidade, Fechei.
Dei por fim o que não mais precisava, o que sorria, chorava e guardava.
Falei de um vestido, depois de mais dois,
contei histórias com fim, sem fim, e sobre nós dois.
Falei de uma rua, um trilho, caminho ou estrada,
Falei da janela, luzes acesas e passos na calçada.
Também disse, narrei e contei.
Escrevi, li, reli e chorei.
Apagava, sonhava e sumia e de repente em mim se fazia, Eu!
Um eu que aprendeu a escrever não só descrevendo,
mas a escrever sentindo, sonhando, amando e vivendo.
E foi assim...
Para não dizer que não falei de mim.

Joice Inácio, 6 de Fevereiro de 2011.

Confere.


Tranco a porta duas vezes,
só para conferir,
corro ao redor do nada,
porque não há nada aqui.
Escrevo meus romances daqueles sem segunda chance
para um Final feliz.
E não sei porque eu fiz.
Fiz de tudo sem querer um abismo
e me atiraram nele.
Fiz dos menores o maior possível, mas impossível de me amar.
Fiz das palavras, bobagens, que nem eu merecia ouvir.
E não sei porque eu fiz. Porque fizeram?
eu não entendo, e continuo a andar por aqui...
Até parar de trancar a porta duas vezes,
Só para conferir.

Joice Inácio, 20 de Dezembro de 2010 e 27 de Janeiro de 2011.