5 de dezembro de 2011

inevitável


E de repente uma brisa quente selou nossos lábios,
era uma noite comum como qualquer outra noite comum,
mas você estava lá, sentado do outro lado, cabeça baixa, ombros cruzados, parecia infeliz.
Lhe estendi a mão, como quem quer doar carinho sem oferecer esmola,
eu não o conhecia, mas ao levantar se fez minha companhia,
entre um beijo, e outro, algumas curtas histórias de vida,
que se uniam, se completavam, se modificavam e ressurgiam numa nova versão de nós.
Algumas cartas depois...
entre corpos colados,  filmes, documentários e cafés,
manhãs chuvosas, tardes nebulosas e noites tragicamente inesquecíveis.
Tão inabalável, tão fiel, tão mágico, que parecia real.
Talvez eu só não o conhecesse tão bem assim.
Alguns anos depois...
mãos frias, olhares distantes, palavras curtas
e suspiros cansados narravam a cena de um fim inevitável.
E de repente uma brisa quente encerrou nossos lábios,
era uma noite comum como qualquer outra noite comum,
mas você estava lá, rumo ao outro lado, cabeça erguida, olhar abalado, parecia infeliz.
Lhe estendi a mão para aceitar a devolução de tudo que um dia eu havia entregue,
como esmola mal contada ao cego que ninguém confere.
eu não o conhecia, e ao se virar, deixou de ser seja lá o que fosse minha companhia.

Joice Inácio, 5 de Dezembro de 2011.

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