14 de abril de 2012

Prisioneira.



Por que ainda dói tanto assim? Eu quis assim, eu escolhi isso, eu deveria ser a primeira pessoa a aceitar, mas dói, explode, entala, engasga e não sai. Preciso de um som, qualquer som que indique que estou chorando, um grito de dor ou quem sabe um suspiro de fim. Não entendo, mas talvez seja simples de entender. Dói porque fantasiei minha força, e forças maquiadas são mais frágeis que fraqueza, e então ela sei vai, e me deixa, despida no meio do mundo, passando frio, tentando cobrir, sem sucesso, com as mãos as partes que ainda valorizo, e eles passam e riem, riem do meu esforço, do meu sufoco, do meu frio, enquanto jogam seus cobertores extras e se vão como esmolas que jamais poderei alcançar, e sei que se pudesse não iria mesmo assim. Me conheço, e sei que prefiro passar frio ao receber o calor de outro por caridade. Ei de cobrir-me sozinha assim que descobrir uma maneira de romper essa barreira que por culpa dele ou minha eu não consigo sair. É como morrer e voltar por um assunto inacabado, como fantasmas que só encontram o seu caminho de luz quando terminam o que começaram. Me sinto assim, presa, nua, num cubo transparente, todos podem me ver, mas ninguém pode se aproximar, eu não deixo, não quero, não preciso deles. Mas estou sem ar, sufocada, e não consigo ouvir nenhum som, sinto frio, muito frio. Me encolho como uma criança com medo e vergonha, mas não cometi nenhum crime, e estou protegida do mundo la fora. Mas infelizmente não existe nada que me proteja do lado de dentro. Espera ai, eu estou só do lado de dentro. E agora sinto que talvez esse seja o maior dos perigos.


Joice Inácio, 13 de Abril de 2012.

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