15 de agosto de 2012

Ajustes.


É, ás vezes eu também preciso sair, entrar e resolver alguns problemas comigo, sentar, esperar, analisar, dialogar, opinar, fazer acordos, organizar, modificar, limpar, tirar debaixo do tapete, trazer, levar, deixar, concertar aqui e arrumar ali. Aquelas pendencias, algumas fotografias não recolhidas, uma piada que não foi compreendida, um sonho que não se despertou por inteiro, o resto do brigadeiro preso no fundo da panela, uma marca de café na toalha de mesa, o despertador que nem sempre apita, o som daquela campainha, o gosto da primeira dose de tequila, os cheiros dos perfumes, as gotas de suor, uma peça de xadrez, o barulho da cama, o baralho na mesa, o livro de cabeceira, cores e capas, beijos e tapas entre xeque-mates escorrendo entre trancas e trucos, gemidos ocultos, velas e fósforos deixados para trás. Mais fotografias, dessa vez em pedaços, pegadas deixadas no vapor, o cabo queimado da colher que mexia o chocolate, o cheiro do amaciante usado contra o café, a pilha nova no velho despertador, palmas, sem bebidas, outros ares, o tabuleiro encontrado da rainha perdida, sacolas plásticas que agora permitidas ajudam a recolher os cacos, um frasco de perfume quebrado, algumas gotas de sangue dos pés que se colidiram, um brinco sem par, um dvd sem nome, a velha xícara sem alça de amarelo desbotado, o urso de pelúcia presenteado, a presilha esquecida sobre a penteadeira, uma pétala usada como marcador do livro que um dia fora de cabeceira, lenços, luvas, bilhetes, cartas, recados não entregues, retalhos de momentos, uma linha ainda presa na agulha, um botão sem casaco, e mais fotos, dessa vez 3x4, limão, sal, leite condensado, e no fundo da gaveta o rei do lado adversário.
Alguns ajustes e quase tudo, quase fica, quase equilibrado.


Joice Inácio, 15 de Agosto de 2012.

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