22 de dezembro de 2011

-


Quando a angustia faz do coração um poço alagado por lágrimas,
e você descobre que o motivo é saudade, o melhor a fazer não é esquecer,
mas sim recordar. Não importa quantas vezes você retorne ao passado,
só basta que saiba onde fica o presente.

Joice Inácio, 22 de Dezembro de 2011.

20 de dezembro de 2011

Detalhes


Entre as paredes frias do apartamento mudo,
se aqueciam em corpos ferventes e detalhes ocultos,
tão curtos que passavam até despercebidos
por entre os toques e olhares desinibidos.
Os lábios úmidos convidavam o beijo quente,
enquanto os olhos permaneciam quietos, imóveis, estudando a presa
sem pressa esperando a hora certa já sabendo o que fazer.
As mãos se confundiam entre si e se perdiam por caminhos intocáveis,
num toque discreto, quase que secreto e suave,
mal sabiam se deveriam deslizar ou aranhar
e assim brincavam com a pele, apertos e arrepios sem planos,
nada por debaixo dos panos,
e tudo se tornou tão único,
entre as paredes finas do apartamento que fingia-se surdo.

Joice Inácio, 20 de Dezembro de 2011.

10 de dezembro de 2011

Lembranças


Lembro-me bem da primeira vez que escrevi uma carta de amor, da primeira vez que chorei na frente do espelho, da primeira vez que senti vergonha de ser como eu era, dos primeiros erros, dos primeiros arrependimentos, da primeira briga por algo que não valia, da primeira mentira, do primeiro gesto solidário, do primeiro amor. Me lembro da primeira decepção, da primeira vez que quebrei uma regra, dos primeiro goles de bebida, dos primeiros maços de cigarro, da primeira vez que me arrisquei, da primeira vez que senti medo, do primeiro beijo, do primeiro tapa, da primeira música, do primeiro filme, do primeiro eu te amo sincero. Lembro-me sem duvidar, da última vez que escrevi uma carta de amor, da última vez que chorei na frente do espelho, da última vez que senti vergonha de ser como eu era, dos últimos erros, dos últimos arrependimentos, da última briga por algo que não valia, da última mentira, do último gesto solidário, do último quase amor. Me lembro da última decepção, da última vez que quebrei uma regra, dos últimos goles de bebida, dos últimos maços de cigarro, da última vez que me arrisquei, da última vez que senti medo, do último beijo, do último tapa, do último livro, da última música, do último filme...
Mas a maior das lembranças que guardo não foi do primeiro, nem do último, mas sim do que talvez tenha sido o único eu te amo sincero.
e basta.

Joice Inácio, 09 de Julho de 2011.

9 de dezembro de 2011

e,


eu rabisco uma Saudade,
como quem decora uma parede de Sonhos.

Joice Inácio, 09 de Dezembro de 2011.

5 de dezembro de 2011

inevitável


E de repente uma brisa quente selou nossos lábios,
era uma noite comum como qualquer outra noite comum,
mas você estava lá, sentado do outro lado, cabeça baixa, ombros cruzados, parecia infeliz.
Lhe estendi a mão, como quem quer doar carinho sem oferecer esmola,
eu não o conhecia, mas ao levantar se fez minha companhia,
entre um beijo, e outro, algumas curtas histórias de vida,
que se uniam, se completavam, se modificavam e ressurgiam numa nova versão de nós.
Algumas cartas depois...
entre corpos colados,  filmes, documentários e cafés,
manhãs chuvosas, tardes nebulosas e noites tragicamente inesquecíveis.
Tão inabalável, tão fiel, tão mágico, que parecia real.
Talvez eu só não o conhecesse tão bem assim.
Alguns anos depois...
mãos frias, olhares distantes, palavras curtas
e suspiros cansados narravam a cena de um fim inevitável.
E de repente uma brisa quente encerrou nossos lábios,
era uma noite comum como qualquer outra noite comum,
mas você estava lá, rumo ao outro lado, cabeça erguida, olhar abalado, parecia infeliz.
Lhe estendi a mão para aceitar a devolução de tudo que um dia eu havia entregue,
como esmola mal contada ao cego que ninguém confere.
eu não o conhecia, e ao se virar, deixou de ser seja lá o que fosse minha companhia.

Joice Inácio, 5 de Dezembro de 2011.